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O Quase Diário

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Misturas de Alguidar [sobre crescer]

11.08.19, Joana Cavalcanti

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Cresci quando absorvi: "what the fuck are perfect places?" (Lorde) . Quando já não me interessa se sou gira mas sim se tenho aquele "algo" que encante as pessoas certas.
Cresci naqueles momentos desfocados a dois, quando existe o toque antes do beijo e os olhos são nevoeiro desfocado.
Cresci no beijinho rápido, e no beijo que se prolonga.
Cresci no Amor, quando o encontrei e me soube inconfortável, porque o confortável será sempre zona de conforto.
Cresci quando soube que gosto de escrever sobre Amor. Não de forma extremamente lamechas nem pornográfica. Amor num sopro em caracteres.Sim.
Cresci quando já não me importa que o meu espaço e tempo possa ser além yoga, estar a ouvir Disclosure feat flume - "You and Me" em Loop, às 2 da manhã na sala com espaço para fazer de artista e escrever. Cresci quando já não me interessa as playlists dos outros. Na minha há Mick Jagger, David Bowie, The Beatles, no mais moderno Lorde e Artik Monkeys com o meu guilty pleasure à mistura - Taylor Swift.
Cresci quando continuei a ser a mesma, de calças justas e camisolão largo, maria-rapaz vaidosa que cresceu depois do infantário num picadeiro onde foi tão feliz. não quer saber se o cat eye ficou mesmo mesmo todo no sitio e sem paciência para maquilhagem com pinceis. Mas ainda assim...uma vaidosa...
Cresci quando soube que não sou capaz de viver (e escrever) sem música.
Cresci a gostar da estilista Stella Macartney desde os 14 anos e a procurar desesperadamente o perfume dela em aeroportos. (e ainda assim de calças justas e camisolão do meu marido vestido, maquilhada subtilmente).
Cresci quando me deu para ler clássicos ingleses, entre eles os juvenis "Mulherzinhas" e "O Jardim Secreto" - A imaginação faz-se assim.
Cresci porque quero voltar a Londres quantas vezes conseguir, é paixão. E ainda não perdi a esperança de ir de comboio de Lisboa a São Petersburgo.
Cresci inevitavelmente na perda. Mas também cresci em olhos novos que conheci.
Tanta divagação inconcreta. Talvez sem interesse.
E no entanto...cresço.

Faço no meio do escuro por ser reflexo de estrela.


1979 - (The Smashing Pumpkins)....Goodbye