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O Quase Diário

O Quase Diário

Do diário 20/01/2016 | Origamis

28.10.19, Joana Cavalcanti

tinha 5 ou 6 anos. sentávamos-nos na casa de chá junto de onde moro depois das aulas. ensinavas-me a fazer barquinhos de papel e aviões. os rectângulos dos guardanapos típicos de mesa de café eram recortados em quadrado. fazíamos aviões e barquinhos. fazíamos copos de papel e deitávamos água para dentro deles. era a magia das tardes. a água aguentava-se durante um bocado(inho) no copo. fazíamos casas de origamis. no colégio era eu quem sabia fazer sempre os aviões. e se não era à primeira não desistia, e ficava ali a tentar e tentar.como quem tenta voar. ser criança, ter brio, e não desistir. (na altura chamava-lhes casinhas de papel, aviões de papel,barquinhos, e copos). hoje são origamis. e sei fazer cisnes, e quero fazer raposas e ursos. e uma tatuagem de um deles.

tenho 26. um dia vou ensinar aos meus sobrinhos o que é brincar com papel. voar de aviõzinho de folha. sensíveis e livres como eu. transmitir-lhes essa mensagem, fazer com que me conheçam os traços em dobras a 4 ou mais mãos que se juntem.

hei de sempre conseguir voar em aviões de papel. livre, sensível, sem medo do chão. forte por isso. será sempre terra e origamis sabedoria e calma de origem zen oriental. mindfulness.

Gosto de Ti (e viagens)

26.10.19, Joana Cavalcanti

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Estás deitado no nosso sofá, (posição mais querida em que já te vi). Estou ao pc. Apaixonada e a sonhar com viagens. O Transiberiano e Londres, um sonho outro coração. New York e Amesterdão, um "dá-me um beliscão" outro as bicicletas. 

Eu a chegar a casa cansada do trabalho, a esquecer o jantar, e vir directa ao pc pesquisar e anotar trajectos e spots a não perder.

Tu a chegares a casa cansado do trabalho e a vires directo ter comigo. 

Tu e Eu em Londres na Foyles e tu quase a dormir de tanto tempo que lá passo. Fazemos o 12 de noite por gozo não sei quantas vezes só para ter aquela vista de "turista" e poupar tempo nisso.

A viagem dos meus sonhos, a que envolve o teu universo - comboios - O Transiberiano.

E a vida flui.

Amesterdão, New York.

(exercício de visualização)

começa assim: umas dr martens

26.10.19, Joana Cavalcanti

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umas dr martens com um vestido vintage bazaar. um concerto da Julia Michaels que não pode faltar. um livro. escrever um livro de crónicas ou destas frases pontuadas meias prosa meio poesia meio um fuck up gramatic rules. misturar línguas. asneiras com classe. uma crise de pânico - tomar um xanax, pegar nos phones e aos poucos mexer os membros - acabar a dançar, dançar a sério até caírem lágrimas. porque o pânico foi."cause I got issues, and you got them too, so give them all to me and I give mine to you" - rodopiar (com umas dr martens e um vestido vintage bazaar).
não sei de onde veio esta mania mas botins e all stars brancos (semi sujos) continuam a ser parte deste meu perfil sem medo do tom preto, tom de paz em árabe. anéis e brincos. cabelo com toque acobreado. tudo talvez ser-ser-me.
amor. muito amor. tudo amor. o teu. sempre. pode ser? ("I got issues..."), mas também criatividade de pintor dinamarquês deste século.
perder todos os medos, largar asas, "jump", fazer uma viagem estrada fora num dos teus carros todos com mais de 20 anos a relembrar os anos 90. num dia de sol, sobre alcatrão e rodas, encostar-me à janela e chorar de felicidade quando der a "Don't get Back in Anger"...Oasis...causam sempre arrepios.
VIVER.
(foi então que chorei depois desta palavra no ecrã).
pânico. dançar. música bem alto. salvação. "I got issues"...e tenho Amor Maior. viver. lágrima gorda feliz. gritar. dor. medo. rodopiar para passar. música bem alto. chorar. passa. fica. aprender a lidar. escrever um livro. umas dr martens e vestido vintage bazaar. sair do seu carro no Alentejo. meter-me no meio das espigas. como na loucura de um pintor dinamarquês deste século. dar-te a mão e puxar-te para vires. adormecer, sonhar contigo mesmo estando a tua mão a tocar em mim.

Verbo Recomeçar

25.10.19, Joana Cavalcanti

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Para recomeçar, acredita. Para recomeçar faz. Está nas tuas mãos, na tua essência onde (re)descobres esse amor próprio novamente. (não te esqueças de o nutrir...pois esse será o teu super poder).

Recomeça sem medo de cair, porque não passas do chão e se passares, se o buraco for tão fundo, terás sempre algo em ti (esse amor, lembras-te?), ou a mão de alguém para te puxar! Segue com o teu saco de medos atrás e vai atirando ao ar, ao teu ritmo, cada um deles. Serão irrelevantes perante avançar quando ganhares o ritmo. O teu ritmo. (esqueçe o caminho dos outros). Agora és Tu! 

Se o mundo acabasse os medos seriam irrelevantes. Irias ter com quem mais amas. Faz isso. Faz por isso. Faz por Ti. Ama como nunca. (em especial a Ti própria).

Não te compares mais. é a tua vida, e lembra-te e relembra-te - não estás na dos outros.

Vais achar que não és capaz, que dói de mais, mas é só uma crença, deixa a cabeça noutro lugar e deixa o corpo seguir as rotinas. Faz. Faz por ti. Toda a força se materializa no teu ser. A dor será apaziguada e agora transformada. Será Escudo. Força.

Pé descalço, primeiro passo...recomeço...

Faz raiz de Ti, que hà coisas boas por aí.

Hunger

23.10.19, Joana Cavalcanti

 

então oiço a Fada Florence a cantar a Hunger; liberto todas as pragas e feitiçarias que alguma bruxa possa ter pegado. Sou livre. Com as minhas fomes, tantas vezes em lugares trocados ..."... for a moment I forget to worry".

and from now on you're my address...

22.10.19, Joana Cavalcanti

 

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Sozinha em casa, os vizinhos de cima estão a discutir, e sem sentido desato a chorar.

É isto que uma depressão faz. Além de fragilizar relações.

Tira palavras, corta momentos, arrefece corações a comprimidos de dormir. Cria corda-bambas por onde vamos ter de caminhar passinho a passinho, nada como os sonhos que levamos em mente. 

Recuamos e testamos a calçada em caminhadas, tentando cada vez ir um pouquinho mais longe que da vez anterior. Damos as mãos e aproveitamos o calor. 

Chove, Will you ever be mine?"...cria estes medos, quando já o somos. Trocamos de estrada, adiamos o dourado, no bolo de chocolate derretem as velas que não quis ver. Roubo-te instâncias, altero-te esperanças, sem deixares de me dar um caloroso beijo de boa noite. Todos os dias em troca.

Chove e sorrio a pensar em Algés e no beijo à chuva grosseira que me deste em "miúdos" para calar uma discussão. Foi de filme posso sonhar quando o teu quarto era a nossa casa quando ainda não tínhamos uma...improvisávamos. 

"and from now on you're my address..."

...desculpa.

Fall

16.10.19, Joana Cavalcanti

Chega a minha estação preferida. 

Outono.

Altura de tirar pó ao 'red' e por a tocar, agora acompanhado da 'lover' ao piano...altura de pensar em ti e amores para sempre, em folhas caídas no chão, camisolas de malha quentinhas e chá de menta-gengibre ou maçã-canela, em coincidências que escrevi um dia com 26 anos e que aos 29 se realizaram.

"provavelmente (quase de certeza), vou casar sem vestido feito à medida nem de catálogo. provavelmente vai ser de túnica branca de rendas, alguma com que me cruze numa qualquer zara ou mango..."

"celebrar a dois ou com quem quisermos partilhar o nosso dia cheio desta felicidade tanta que é amar."

"um dia chamo-te meu marido. e troco o solteira no cartão de cidadão. e no coração o compromisso é ainda maior. chamo-te marido que nem enamorada e vão saber na padaria e no mercado de fruta biológica. no brio do chiado."

Janeiro 2016

30. Chá e mantas quentinhas, um gato enroscado no meio de nós, uma depressão em mim. Mas "Lembra-te de mim e que gosto de tudo em Ti"*

Outubro 2019

* António Lobo Antunes

 

do diário - 19/1/2016

14.10.19, Joana Cavalcanti

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sentou-se com ela no starbucks. beberam chá e comeram um muffin. disse-lhe que estava preocupado, disse-lhe que andava a destruir-se a ela mesma. perguntou-lhe porque é que tinha deixado o bem-estar que tinha encontrado há uns tempos noutra "viagem". ela ouvia-o com atenção, ele sabia as respostas todas, documentava-lhe em perguntas cada uma delas. 
antes desta conversa tinham dado um longo abraço no pateo que está na saída das escadas rolantes ao lado da área. ela olhou-o com toda a atenção durante a(as) conversa(s). tocou-lhe na barba. nos caracóis. decorou-lhe (como sempre faz) o sorriso, a compreensão, a preocupação. e desta vez o sabor de liberdade que tinha perdido pelas regras a que se impõe.
foram à habitual paragem pela fnac, comprou dois livros de macrobiótica do prof. Francisco Varatojo. ele a condizer com o seu outfit composto e sabor de Homem da vida dela ofereceu-lhe um deles. o mais caro - um gentelman.
ao jantar. ela escolheu lombo de salmão braseado com sementes de sésamo, legumes assados e salada mista. ainda antes no celeiro comprou chá 3 anos, gengibre cristalizado e sementes.
abraçou-o de novo, disse "Amo-te" de coração cheio. estava cheia de si e da certeza de que às vezes recomeças onde menos esperas. quando pensavas que não era agora. no meio de vazios que começas a perceber e encher com a viagem certa. 
e no fim, tudo passa. tudo fica bem. 
e pleno de amor.
 
Há sempre alguém pra te agarrar, se vais cair, pra te travar, e adormecer.
 
** Tiago Bettencourt