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O Quase Diário

O Quase Diário

ao chegar

30.12.19, Joana Cavalcanti

um diário acaba. as páginas têm um final. a tinta da caneta esgota. 

esgota para dar vida a novas aventuras. menos sobrecarregadas espero. embora haja sempre comigo esta moinha de "não vou vender, nem um conto do que eu vi, tudo o que aprendi será pior pra ti"*, com a qual vou aprendendo a viver e gozar a vida. a ser "diferente" sendo "igual". não tendo limitações. com coroa de rainha bem erguida ao alto pelas batalhas que superei desde pequenina.

deixei de me perguntar por que é que a vida não é mais fácil. a vida é assim. às vezes consoante, outras tempo de partir, por vezes épica, arrepios de frio bom, a vida é amor, a vida é treta (merda...é o que é, mas agora está na moda o Chagas Freitas utilizar essa expressão, então, ora pois dispenso). é perda, é ansiedade. a vida está cá para nos formar, nos moldar, para sermos dos bons. dos que valem a pena. para aprender e encontrar...a fé (em ti, em mim, em Deus...a vida escolhe como que um oráculo). a vida é sonora, são canções dançadas no maior dos gozos e sentir. um dom. a vida, percebi, sou eu e tu.

"sei que um dia tudo muda"**...(passa um gato delicado e gordo entre mim e o teclado), até com medos convives de sorriso rua fora. aprendeste a desvia-los. a dizer não.  

aprendes-te a ser de raiz.

e "ao chegar"..."eu sei bem daquilo que sou capaz"***

 

**Márcia "Vai e Vêm"

*** Márcia "Vai e Vêm"

 

Inquietação

20.12.19, Joana Cavalcanti

 

 

chega. beijinho no nariz. olha que há demasiados 'Amo-tes' por aí. 

tanto queria que viesses atrás do vestido azul

entraste na porta errada na primeira oportunidade.

já não estava de azul quando de novo me olhaste. vermelho.

chega. "and please my day". que há demasiados corações desmembrados lá fora.

tocaste ao de leve na pele. na minha pele de galinha por te ver no café.

pedi um galão. pediste o cliché café. 

conversa. olhar. tocar. beijar.

chega. beijinho no nariz. abraça a inquietação que há em mim. 

19h03 (do diário, há 4 anos atrás)

20.12.19, Joana Cavalcanti

o M desliga o pc. (agradeço apesar de gostar imenso dele, mesmo). agradeço porque fico sozinha a trabalhar. gosto. não tenho medo do escuro. ponho os dois phones, oiço a Clarice ..."e macaé". as impressoras voltaram a funcionar. "sem você eu sumo, eu morro de fome". carrego os pdf's com adjudicações em falta. mando creditar à facturação, correcções. "deu pra escutar a canção que tocou pra gente". respiro e tento conter o meu mau feitio e costela de advogada justiceira quando acho incorrecta uma situação. não deu o cliente levou com um email a por os pontos nos i's. e em jeito de frase nicola digo-me: um dia controlas esse mau feitio "eu tenho razão"...hoje não é o dia ao contrário dos pacotes de açúcar. "quem sabe, você não chamasse a polícia, talvez...quem sabe, eu não estivesse no fundo do poço". não recebo resposta. safei-me. mas tinha razão em todo o argumento. (lá vem o feitiozinho). "e não teve barril que me fez esquecer".

Oiço ar condicionado. carrego a documentação em falta no sistema. aquelas tarefas que podem ficar para depois mas têm de ser feitas. em paz comigo, embalada pela voz brasileira. indecisa quanto a um melhor que anda a remoer coração e estômago. "mais e se a gente separa, para que se a gente para o mundo acabou".

Menina

09.12.19, Joana Cavalcanti

Precisei de alguma forma pelas estrelas de parar.

De me reencontrar, reconhecer, respirar, escrever, sentir, amar, tocar, dar, aventurar. 

Começa em breve uma nova etapa (tão boa),mas não deixa de haver picos de ansiedade, (isso terei eu de saber lidar com eles). Crescida.

Mas não dou por derrota esta paragem que o céu estrelado me fez fazer, nem o tempo que foi preciso. Não corto como retalho desta vida.

Comecei a escrever um livro; dancei sem parar, recomecei o yoga, andei de comboio sozinha por vontade própria, caminhei com antes desconhecidos pela saúde mental, formei-me em Comunicação Não Violenta (CNV), vou começar um curso de PNL, CASEI, o Friends acompanhou-me nos dias maus, fui vegan durante três meses, engordei, emagreci, fiz 30 anos, faço 5 km a caminhar "na boa", fui a concertos bem feliz e com o meu xanax atrás :)) fui ao meu primeiro espetáculo de Stand up Comedy, "Ele" deu-me sempre e incrivelmente a mão. Mergulhamos os três no Guincho numa tarde que valeu verão. Encontramos casa no Comoba. Fiz mais furos nas orelhas mas fecharam, Cortei o cabelo pelo queixo à Paris-Texas (mas agora é para crescer!), Li Clarice Lispector, e apaixonei. Americanah em páginas no coração. O (há) medo é só isso...medo (como o frio, ok!?). O Bem passou a Bom. Cresceu, quis. 

Doeu (mesmo) tudo, rasgou.

Mas depois aprende e nasce constelação Feliz para seguir em frente.

"Vai chegar o dia em que o medo não faz parte e, por muito que tarde, esse dia é teu."*