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O Quase Diário

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Lá Maior ( Afonso Cruz, Tolstói em divagações)

11.01.20, Joana Cavalcanti

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Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira” - Anna Karenina,Tolstói.

Passei no blogue da Rita de propósito à procura da review dela sobre o livro que estou a ler neste momento,(as reviews da Rita são sempre as melhores, opinião pessoal) - "O Princípio de Karenina", obra de Afonso Cruz . Onde cria "crias", a partir deste principio de Anna Karenina. Uma citação que já li em tantas livrarias com Tolstói na mão num 'vai não vai'...é que é caro e ainda ando há procura da tradução perfeita, (se é que isso existe, uma tradução do Russo...vá lá que não fui assim casmurra com Dostoiévski).

Mas é a minha complexidade. E ela levou-me a Afonso Cruz e a este Título. 

A Rita deixou esta citação infra que li vezes sem conta. Não exagero ao dizer vinte. Uma citação presente e que irei devorar páginas brevemente:

Como disse alguém: está consumado. Espero que aprendas a viver com as feridas que fazem de nós formas imperfeitas, famílias imperfeitas, diferentes, cada uma à sua maneira. Repara como é estranho, talvez belo, talvez perverso, que as nossas dores sejam eixos da memória e nos marquem indelevelmente, ao mesmo tempo que nos salvam a vida: assim como a minha deformidade me salvou da guerra, a minha morte salvou-te a vida. E, mais ainda, a minha morte salvou-me a vida.

No baralho de recuperar de uma depressão major e ansiedade generalizada, vamos perdendo medos e a seguir com eles ao lado. Ganhando certezas. Que naquele fundo não bates mais, que o sorriso não te tiram ainda quando forçado, é sorriso e já lá está! Que a queda em Lá menor passa a escala maior - no estudo de componente musical, as notas menores são consideradas tristes e as maiores felizes, assim peças que acabem em menor acabam mais em baixo, peças em maior mais "animadas". Que me consigo manter no trabalho e ser útil e com propósito, de gargalhada fácil e "Joana". Que aprendemos de facto a viver com feridas e dores que por vezes nos salvam a vida, por muito que custe em memória voltar lá. que a deformidade do escuro a focar de novo em cor por incompleto pode ser o belo, como o meu anel fininho das 3 pedras cor de gato pardo. Que a escoliose (coluna em s), ainda tem uma história para contar em mim.  Olhos pesados ficam para outras núpcias e se te sentes a desmaiar de falta de energia o chá verde dos açores faz magia. Que ao longe a dor parece bela perversamente nela implicados em memórias, como diz Afonso Cruz por suas palavras.

Coração que bate como em dia de audição. Sapatilhas rosa pastel já nos pés. Músculos aquecidos e pliés. Porta da sala em chão de madeira clara e limpa entreaberta. Espelho 360º graus. Disforme, com meus medos vou na descoberta de novo do que é isto - a Felicidade - com boa gargalhada de mão dada, finalmente em paz, com a memória do que doeu (e do que é bom e virá).