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O Quase Diário

O Quase Diário

Dame Amor...y guardaré nuestro secreto.

30.04.20, Joana Cavalcanti

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Tu comes bolachas a ver Narcos México, Eu escrevo a ouvir a banda sonora, a pensar em aprender espanhol... assim no youtube. 

"

Dame Amor, no volveré a repetirlo

..."

y guardaré nuestro secreto" - canta Chilo Escobedo


Porque quero pegar em ti e no próximo avião e seguir México abaixo.
Conhecer toda a América Latina.
Ver a casa de Frida Kahlo, e de Gabriel Garcia Marquez, por-me a imaginar onde é que ele descreve "Crónica de uma morte anunciada" de Santiago Nasar...é que já li por diversas vezes, está na hora de ver.
Beber uma cerveja num bar com mau aspeto (beber como quem diz..."troque-me por uma cidra" que nem a maçã vai saber), fazer toda a rota de carro.
Ir por ai abaixo...dançar Chilo numa praça em pleno sol do meio dia, qual Diego Luna do Dirty Dancing 2.

"

Dame Amor, no volveré a repetirlo

..."

y guardaré nuestro secreto"

if the world was (is) ending (love) & outras resoluções

23.04.20, Joana Cavalcanti

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estou fechada em casa faz quase um mês. acabei de comprar um livro de viagens, crónicas de viagens (sabes que sou cronista de veia), não sabes que sou de sou avião de papel. sim papel, em origami para ser leve e chegar a mais sítios no nosso planisfério.

na verdade sem medos sou música, dança e viagens. sou aquela que se levanta da cadeira para ir dançar até às tantas, sou aquela que um dia vai escrever uma crónica para a Rolling Stones, sobre o Bowie óbvio...Sou aquela que desde bem pequenina com 5 anos nunca teve medo de voar. 

Vou fazer anos na pandemia, no estado de emergência, em plena quarentena. Sabes o que quero? Todos os anos a partir de agora fazer anos fora. fora mesmo lá fora. a voar de avião (aqui convêm não ser de papel). 

se o medo me roubou o mundo, pois o mundo vou ter e saber. 

gosto de te olhar de soslaio. fazes festas ao gato já de pijama a ver netflix. enternece-me.

para acabar a escrita para acabar o dia, como se de 24horas se trata-se, para a ceia só te posso sussurrar "if the world was ending you’d come over right you’d come over and you’d stay the night would you love me for the hell of it all our fears would be irrelevant if the world was ending you’d come over right"*

Tu vieste. Estás aqui neste fim de mundo, onde já nada parece igual.

ps: quando tinha 5 anos e fui a Paris pela primeira vez, fiz 6 anos por lá. só o medo impede, porque está entranhado.É dia 23. Happy We Day Lover.

*Julia Micheals & JP Saxe - If the world was ending

Desta vez involuntariamente.

21.04.20, Joana Cavalcanti

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Prometi-me que não ia escrever sobre o covid-19. (por ser cliché, por estar tudo batido, por estar isto e aquilo...e porque sou embirrenta também, vá).

Mas hoje depois de assistir ao Together at Home como sempre a música vem por tudo em perspectiva na minha vida. 

Acabei há 3 meses de sair de um confinamento em casa de dois anos e meio, pelas já aqui falada Ansiedade Generalizada e Depressão Profunda por que passei(o). Com muito medo voltei a respirar o ar lá de fora, e soube bem, soube tão bem. "and feels so, feels so good to dance again".*

Agora, estão os bilhetes do Alive na gaveta. O meu retorno à condução em espera. A medicação e seu desmame em stand-bye. A vida está a menos que meio gás. E eu que em tempos me isolei voluntáriamente por doença em casa, assusto-me que tudo isto me faça mal.

Se já sou gato, mais gato fico.

Surge o covid-19, e fingi aparentemente para mim mesma estar bem. A verdade é essa estava bem. Mas se calhar não estava. As insónias são muitas, e como estou em teletrabalho só me apetece ficar acordada até altas horas a ouvir música e ler, às vezes só mesmo ouvir música. As letras das músicas. Ou reler uma frase de um livro que me marca vezes sem conta.

Vou-me enchendo de bolachas de chocolate alternadas com exercício físico. Vou chorando o que ainda custa. Vou rindo com disparates na net. Voltei a beber café "americano" sem ataques de pânico. Voltei a cozinhar. A comer uma alimentação plant-based e a já não conseguir digerir carne sem ficar mal um pouco disposta ( afinal, já são 2 anos disto), mas mãe, o cânhamo dá-me a dose proteica juntamente com as lentilhas e todas as restantes leguminosas. Voltei a fazer papas de aveia.  

Aprendi que ainda estou para ser, neste verso mágico: "linda a manhã, num dia a ver, quando eu souber gozar seu frio".** 

E o frio agora maior pela distância social, começa a ser só isso. Frio. "É só frio" repito, repito e repito, como quando vou tomar banho naqueles dias gelados de inverno. 

E quando eu souber estar confortável no frio, linda a manhã vou ver.

...and I'll tell you one thing...we're so much better when were together.***

So wake me up when september ends ****

 

** Desmazelo - Márcia

*** Better together. - Jack Jonhson

*** Wake me up when september ends - Billie Joe Armstrong (green day)

Tio.

01.04.20, Joana Cavalcanti

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Nos meus 12 anos ouvia eu a canção "Show Must Go On" num contexto completamente diferente, num filme um musical que saíra na altura. Uma História de Amor. 

Voltando ao presente e para não dispersar como é meu hábito, hoje aprendi que 10 anos é muito tempo. Imensidão que dá para criar segunda família, tempo de se estabelecerem verdadeiros laços. 

O Tio Cassiano morreu.

Era o Tio Luz, o Tio da Lampreia na noite de Natal, (agora vem o meu preferido)...o Tio das Óperas e de uma paixão por arte e cultura. O Tio da casa do Princípe Real, que onde entrei pela primeira vez disse ao meu namorado, agora marido, "quero viver contigo num sitio assim". Antigo, cheio de histórias, e na sala aquele móvel de Vinis até ao tecto. Na verdade não era meu Tio, mas Tio do meu marido. Conseguiu ser meu porque eu o quis. Naquela noite em que nos puxou da velha e pequenina casa junto à dos "Contos da Casa", para as festas de agosto em Loriga, e era ver-lhe todas as cores do arco-íris no rosto. Foi aí que lhe chamei Tio com a verdadeira afinidade da palavra, como família. Uma História de Amor. (afinal existem sobre todos os formatos, amizade, mãe e filho, namorados...tios e sobrinhos).

Mas voltando ao presente, Eu, uma miúda de vinte e muito muito poucos na altura com 30 hoje, percebo agora o peso dos anos sobre os sentimentos. Hoje o de perda. De histórias de amor desfeitas. Mas haja sempre cor:

My soul is painted like the wings of butterflies
Fairy tales of yesterday, grow but never die
I can fly, my friends
The show must go on
 

O filme de que falava no inicio era o Moulin Rouge...na sua para sempre Paris.

Ao Eric, Tia Nina, Tia Cristina, Tia Pipita, Família (agora minha) e Amigos (agora meus).