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O Quase Diário

O Quase Diário

[Sorry I don't know how]

31.05.20, Joana Cavalcanti

Eram 06h00 quando o despertador tocou.

Levantei-me feliz, afinal ia preparar a minha água com mel e limão, fazer yoga e ter 2 horas só para mim. Gosto de acordar cedo quando ainda é escuro e ir para a cama com as galinhas. só que agora são 03h26 da manhã, e sinto-me a cafeina. tive um ataque de pânico no tapete. o meu mundo tremeu e destilou, impedindo-me de trabalhar uma vez mais.

Não vale a pena desculpas agora. Não há qualquer culpa a sentir. Só viver, e dormir, desta vez por favor.

Sou canções, traduzida em versos. Esta então toda uma vida, que agora deixo para trás. 

I don't wanna be you...anymore.

[But you'll never lose What you'll never found](para ler com a canção).

26.05.20, Joana Cavalcanti

'Nunca perdes o que nunca encontraste'. Relembra isto. Sempre, no coração, no lado racional.

"Give a little time to me
Give a little trust and you'd see
Give a little peace of mind
You never know what you might find"*

Relembro-me de endireitar as costas que estavam curvadas como se tocasse piano. Aos 29 dias depois de fazer anos, houve decisões a tomar. Fizeste contudo o meu dia às 2h51 da manhã a pendurarmos um mapa mundo na parede do nosso quarto, onde nos podemos deitar na cama e sonhar. "It takes an ocean not to break".**

Fica difícil o sono vir. Mas quem acredita em sonhos não morre. É terra que se regenera. Que se come, mastiga e mói até à mais profunda dor. Até um dia meio perdida, meio achada, ganhar asas para um dia voar. Ver nascer o pôr-do-sol e ter todas as certezas e pés na terra, por mais que as taquicárdias ataquem. por mais que o tremer de mãos pareça que tem parkinson (com todo o respeito e dignidade).

Oh, lights go down
In the moment we're lost and found
And I just wanna be by your side
If these wings could fly
Oh, damn these walls
In the moment we're ten feet tall
And how you told me after it all
We'd remember tonight
For the rest of our lives*

Eram 2h51. Madrugada e pendurávamos o mapa mundo. Apontei para a Austrália, o teu dedo correu para Nova Zelândia e umas ilhas Britânicas no meio do nada e meio remotas, segui para África. Voltámos ao Reino Unido. Gratidão, agradeci(te). Pelo momento. Vai ficar aqui bem guardado.

Se dói? Tomar decisões, ser adulto, ouvir a opinião contrária dos outros? Pra caraças. Deita ao chão. Há um misto de certeza e de erro profundos.Uma enorme capacidade de estarmos sozinhos e em pleno, em paz finalmente, mas uma ventania de vozes que a desfaz. "It takes an ocean not to break".

Hoje (28/05/2020) - não quero esquecer a data - disse basicamente adeus a um centro de certezas.

E a pisar o chão, no meu lado bem racional, porque também o tenho...às vezes de mais, daí ficar presa ao medo de agir.... tenho um mundo pela frente. Desfaço-me dele quando ganho capacidade de chorar e movimentar cada membro antes rígido e tenso. 

A um dia que não vou esquecer. Ao mapa mundo que teve parto às 2h51. 

Aos sonhos...never let them go!

"A bitter heart
You let me down
But you'll never lose
What you'll never found"*

*Birdy

**The National

 

 

 

 

A "miúda" que não vai ver Taylor Swift ao vivo

18.05.20, Joana Cavalcanti

Nunca sonhei ver Taylor Swift ao vivo. Era assim um sonho impossível que não se equacionava, Portugal era demasiado pequenino para ter uma legião de fãs.

Mas chegando ao dia em que a "encontrei". Foi numa fnac em 2009, com o cd Fearless, que trouxe para casa por pura aleatoriedade. Andava à procura de inspiração, pareceu-me mais ou menos da mesma idade que eu. E lá viemos para casa. [Aliás muita coisa me acontece na Fnac, inclusivamente conhecer o Homem com quem hoje sou casada, que me disse "Olá" por lá].

Éramos duas miúdas do mesmo ano - 1989. [Daí sairia um álbum]. Fascinadas por banjos e música pop inevitavelmente country. E eu era e sou...muito artic monkeys.

Quando em 2019 anunciaram o primeiro nome do Alive, a primeira cabeça de cartaz, é claro que me ia dando uma coisinha má...é claro que no primeiro dia em que saíram os bilhetes tinha o meus.

Acontece o Covid.

Deixo o post por aqui e vou ali ouvir e cantar esganiçada a "all too well" do Red, e chorar sobre os 4 Cd's do Lover que tenho...vá lá são edições diferentes! :)

"I wanna be defined by the things that I love
Not the things I hate
Not the things I'm afraid of, I'm afraid of
The things that haunt me in the middle of the night, I
I just think that you are what you love"

[Rolling Stones podem contratar-me.].

Guardar para não esquecer [a carta que me escreveram]

17.05.20, Joana Cavalcanti

Tenho muitos defeitos, aliás sou um poço deles, eu e todas as pessoas que vês em fotografias e posts neste estranho mundo das redes sociais. Eu tenho dias vazios, tenho dúvidas e tenho angústias. Aceito isso como parte dos meus dias mas também me custa respirar. Também quero, nessas alturas, a vida daqueles que vejo nas redes sociais e me parece perfeita. Sou um poço de defeitos, já disse? Não cheguei solteira aos 37 anos por coisa nenhuma. Sou preguiçosa quando acordo, perco o cartão multibanco todos os dias, detesto cozinhar e nas manhãs em que o meu filho mais novo não quer sair de casa suborno-o com um doce (isso, açúcar). Dou muitas gralhas quando escrevo e tenho muita vergonha disso. Tenho uma memória terrível (e estou neste momento a pensar onde pus o cartão multibanco). Há dias em que me apetece mandar toda a gente à merda mas tenho medo que não gostem de mim, desde miúda. Verões inteiros com medo que a minha melhor amiga não quisesse sentar-se ao meu lado quando chegasse Outubro. E depois, culpa deste mundo estranho das redes sociais, nem sequer sei dela. Detesto o meu olho torto e nunca acredito quando me dizem que estou bonita. Detesto vestir-me bem porque talvez nesse dia reparem que não faz grande diferença para os dias em que visto as mesmas calças rasgadas de sempre. Não gosto de usar saltos porque não sou feminina. Há muitos dias em que quero ser como as pessoas que vejo nas fotos do Instagram em vidas brancas e limpas. Mas sabes Joana são filtros. Eu também uso filtros para iluminar os dias em que as coisas parecem escuras. Os vazios da vida fazem parte. Custam mas fazem parte. Ninguém é melhor do que ninguém. Nem nas formas do corpo nem naquilo que fazem. A perfeição não existe. Já te disse, só aos olhos de que gosta e mesmo esses sabem onde estão os defeitos.

Catarina Beato (26 janeiro 2015)

Mãe.

04.05.20, Joana Cavalcanti

no dia em que sai aí de casa, tive um momento com o meu quarto. respirei-o e escrevi numa folha branca A4 os versos desta canção:

'I've left you a white page by the door, There's no need to ask me what it's for, I wait by the front step for your return, And hear every story of what you've learned'

colei-a atrás da porta.

quando regresso apesar de tudo o que passo, é bonito o que tenho para contar. vivo de coração e alma cheia. Fui abençoada pelo amor. de todos vós. 

faço questão de subir as escadas discretamente e ir ao meu quarto quase como que em oração dizer-lhe isso. 

e...estou feita tonta a chorar de lembrar-me quando só existiam duas camas de solteiro em mobiliário alentejano num quarto.

Cresci(emos) mãe. e foi bom. tão bom o que a vida nos deu. 

(e como não acredito em coincidências, esta música foi a banda sonora de um filme sobre uma mãe. lindíssimo.)

Lindíssima, Mãe. 

#Crónicas de uma ansiosa que só queria um festival de verão

03.05.20, Joana Cavalcanti

 

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'if you can't hold on, if you can't hold on...hold on'

Depois de uma baixa de quase dois anos e meio, quando me vejo a melhorar de uma depressão e crises de ansiedade, vem uma pandemia que nos obriga à isolação social. Se antes me confinava, agora sou confinada por um vírus.

Estão desde 28 de setembro de 2019, numa gaveta, quase como que intocáveis os bilhetes para o Alive de julho 2020. Que o certo certíssimo é não existir...aliás por mais que eu goste de música e veja-se por este blog, não iria, seriam várias horas em pé a chorar pelo cenário de distância, a falta de abraços, da normalidade... Quando não temos as coisas é que sentimos falta não é!? Eu sinto falta de festivais de verão, de me sentir adolescente por uma noite, porque é sempre aos mixed feelings dos amores de lá a que regresso nessas noites longas e quentes de verão. 

O Covid-19 tirou-nos a normalidade. E a mim tirou-me a música no seu formato mais pura-vida.

Mas Senhoras e Senhores, The Killers! no Glastonbury 2019 com Mr Brightside. E porque nos meus sonhos estou ali no meio daquela confusão a babar o Brandon Flowers.

'Coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this?
It was only a kiss, it was only a kiss.'