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O Quase Diário

O Quase Diário

*"Eu sou mais um corpo a flutuar, Sem regras pra voltar"

18.06.20, Joana Cavalcanti

Sou espalha brasas, a desarrumada, a que anda nua pela casa de janelas abertas sem qualquer preocupação (já perdi muito do meu tempo a preocupar-me). Sou a que sente, revolve lençois. A que desmancha almofadas arranjadas no sofá. A que morre de amor mil vezes. A que te deu grão de café. Sou a que tem um spray para de cor-de-rosa pintar o cabelo.

Tu, és o arrumadinho, o racional, o certinho. Tu às vezes sem mim viverias numa vitrine cheia de "ladas e rovers"...mas eu gosto tanto de ti...(assim).

"Mas tu Tu engasgas Tu suspiras Tu tropeças E transpiras Tu pra isto não tens jeitinho nenhum. E sou eu Quem te atira para trás Quem a tua cama desfaz E muito embora queiras ter tudo no seu lugar Eu não vim para arrumar"* Cláudia Pascoal

Vamos há melhor aventura da vida, trocamos o "Para Sempre" pelo Presente e é o Amo-te mais bonito que já te disse.

Quero estar contigo enquanto fizer sentido. Enquanto a minha agitação te traga paz em forma de palpitações de adrenalina.

És a minha balança de signo e em fé. És a calma, o está tudo bem, quando o meu mundo arde por pensar demais.

Mas..."sou eu Quem te atira para trás Quem a tua cama desfaz E muito embora queiras ter tudo no seu lugar Eu não vim para arrumar"* Cláudia Pascoal

Vem dançar entre a loucura e a certeza.

E então dou-te o lado mais ternura e arrumado em versos de quase fado: "Meu amor, meu amor, nunca é tarde nem cedo Para quem se quer... tanto"* Ary dos Santos (Estrela da Tarde)

E sabe, decora que estiveste lá. No primeiro dia do resto da minha vida...E...

"Sabe tão bem poder contar contigo para jantar
Eu sei de cor os passos que vais dar
E amor eu sei que podes não chegar também

E é essa incerteza
Que me faz achar
Que um dia
Um dia a mesa pode estar vazia
Então só quero aproveitar amor" *Janeiro e Carolina Deslandes

4h41 #SobreAmor

13.06.20, Joana Cavalcanti

Criei-te novos hábitos, chá, café e vinho branco, areia nos pés que em pequeno abominavas. Mergulhos no mar. banhos de sol.

Estraguei o menino da mamã em factos mundanos. Mas também...fui eu quem deu o primeiro beijo. Sou o Tom Saywer da Relação, de chapéu de palha e pé descalço no quintal (mais vezes com botifarras pretas mas) descalça, tal qual te fui buscar à porta a primeira vez que entraste em casa da minha mãe. 

Sou ansiosa da carne aos ossos, passando pelo espírito, de lágrima fácil, mas capaz do humor mais sarcástico deste mundo. 

Perco-me em pensamentos. Por agora queria fazer off e fazer ronha, mas disseste que me levavas a ver Van Gogh, e sou quadro cliché de Girassóis, mas sou campo de trigo (sem corvos), até Gauguin sou, sou até orelha cortada, e irrito-me porquê tanta poesia.

Queria-me direta. A conseguir ouvir a "Ligh Years" dos The National sem chorar. A conseguir ir para o mundo dos sonhos sem ser interrompida pela ansiedade de me imaginar amanhã contigo de mão dada a passear pela Rua Direita.

Sou salgalhada de caracteres juntos em diversos temas.

Sou também pijama de flanela aos quadrados com cores de natal em junho. (Não dizem que o Natal é quando um Homem quiser?). Pois eu tenho frio. (E o gato roubou-me a manta).

Talvez seja sinal de que é melhor ir para a cama, e de que amanhã nada deste texto fará sentido, tal como não faz hoje de tanto saltitar de temas. Mas talvez seja isso o belo. 

Não fosse um dos grandes porquês da humanidade a busca de sentido em tudo. 

Talvez tudo devesse deixar de fazer sentido. Como a Terra do Nunca do Peter Pan, para onde vou com a Wendy e companhia agora "à voar!".

Já te disse que é dos filmes que mais gosto?

E sussuras-me:

"Oh, when I lift you up
You feel like a hundred times yourself
I wish everybody knew
What's so great about you"*

Logo bebemos mais um copo de Branco e que se lixem os cabrões dos químicos porque: "I won't fuck us over, I'm Mr. November, I'm Mr. November, I won't fuck us over"**

ps. falta-me ainda ensinar-te a adorar areia na toalha...