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O Quase Diário

O Quase Diário

In the Trees [take me to the lakes ode]

08.08.20, Joana Cavalcanti

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onde tudo anda confuso estou eu metida

e meu amor levo-te comigo

até o sol e a lua faço girar ao contrário

é a minha tristeza a estragar relógios e fusos horários

Leva-me até ao pinhal, em Sintra onde já fui tão feliz

Mas meu amor, não sem Ti.

Onde comprei o Santo António Cor de Rosa Choque

E ainda não passávamos dos vinte

Preciso de chorar num lugar mágico que reis e rainhas puderam pisar, 

mas também cheio de neblina

para disfarçar o embaciar do meu olhar

Mas não sem Ti.

Leva-me aos pinheiros bravos e mansos

em consonância a cantar na ventania que se faz sentir

Mas não sem Ti.

Onde cresce o verde

o meu amor também, raiz, pés no chão.

Leva-me até ao pinhal, em Sintra onde já fui tão feliz

só de olhar de uma janela e a conduzir

Mas não sem ti.

deixar a caruma voar e picar

escrever poesia no meu moleskine

Meu amor, mas não sem Ti.

Não sem Ti.

I remember you well

07.08.20, Joana Cavalcanti

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Ponho a tocar a minha canção de amor preferida. 

Talvez um dia te escreva uma também com nome de filme, nome de Hotel.

Onde te digo que não sei viver sem ti por mais orgulho que tenha. 

Por agora ouço Leonard Cohen, nestas vozes que me elevam, 

Desfolho um livro de pintura ao sabor de uma cevada quente.

Dormes já.

Uma vez mais são 4h da manhã e finjo ter sono ao som da melodia

Não quero que acabe.

Porque é que as canções seguem o ritmo da vida?

Fluem e chegam sempre ao fim da linha.

Deviam ser proibidas.

Assim como certos amores de estremecer.

Tu e Eu. 

Forno já ligado; Batata doce

Fizeste tu o jantar. 

Sentei-me ao computador

Nem mais um beijo te dei

"I need you, I don´t need you; I need you, don´t need you"

nariz ao alto e voz de cabeça no ar

sem consequência que o "Lembro-me de ti" pode chegar

Mas à minha maneira amo-te até à "lua e saturno".

I don't mean to suggest that I loved you the best
I can't keep track of each fallen robin
I remember you well in the Chelsea Hotel
That's all, I don't even think of you that often

Cevada quente a fumegar

Um Picasso.

Música. Sempre.

Assim como Tu.

The 1

06.08.20, Joana Cavalcanti

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Já passaram o quê? 10, 12 anos? Ainda te lembras de mim?

Do tempo que herdaste a olhar-me de alto a baixo, sem me conhecer, sem me falar. O Encontrão no corredor do piso 3. O café que tomávamos todos os dias à mesma hora, o raspão pele-com-pele naquele verão. O teu tropeção quando me maquilhei bem à séria.

But it would've been fun...If you would've been the one

Seriam 2 ou 3 filhos? Férias no Algarve, gelado santini ao fim de semana. Tu no topo de carreira, eu em casa com as pestes. Fotos do nosso dia de toque vintage em que eu iria de rendas e Pureza Mello Breyner). Putos na faculdade. Mais tempo para Tu e Eu. Turismo Rural. Eu sem psiquiatra e medicação para a ansiedade e depressão...

Mas lembras-te do café à mesma hora na empresa? Não eras só tu a topar-me a mim. Eu via o engatatão em ti sem cara sequer para usar a expressão. Olhavas para mim, mas a Rita e a Isabel eram segundas opções. 

Mas lembras-te do raspão naquele verão?

Sabes, a vida virou uma constelação de meteoritos em colisão mas estrelas cadentes de desejos realizados. (Não consegui largar a medicação e tremo ao mais pequeno abanão). Sabes a vida foi por vezes treta comigo, mas sempre com música de Bowie, Freddie e juntem-lhe o Mick!

Com um casamento e relação de 10 anos feliz e cheia de amizade. gargalhadas. Um gato, sonhos de viajar de auto-caravana velha estrada fora com música dos anos 90 a condizer. Uma casa bem velhinha com armários antigos iguais aos da minha bisavó. Todos brancos e lisos, como me ouviste comentar na copa um dia.

Tenho a ideia de que a tua vida anda bem. Mas ainda bem que fugi depois daquele jantar de equipa.

Ainda assim como é engraçado encontrar-te hoje e imaginar que podias ter sido Tu. O teu tropeção...

[Para o meu Amor que faz de mim Galáxia de Colisões e Mapa de Constelações]

(imagem: Taylor Swift)

"e ver que casa é uma pessoa e que cabemos lá os dois"

06.08.20, Joana Cavalcanti

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Volto folhas do moleskine. Histórias de amor, histórias de família sem fim.

Mas a verdade é que ainda paira inquietude em nós. A minha inquietude.

Sei que te falta a paz, a "casa", o facto de ainda te assustar com a minha inconstância.

É que quero a vida toda num só dia, sem depois a conseguir processar ao viver tal a intensidade desta, sem saber depois colocar, arrumar, em gavetas por categorias e ordem sentimentos - Desordem é o que sou. Confusão.

Às vezes não sei como manter os pés no chão com a ansiedade que sinto no coração, então procuro na música essa ilusão que nem tapete IKEA novo, lindo e minimal. Como se quer. 

E embalo nos versos de uma casa onde te imagino pleno e sem dúvidas do que vais encontrar quando abrires a porta ao chegar. Encontras um sorriso seguro de quem sabe o que quer de si. Sonhador mas sem desencontros e divórcios constantes das ideias a que se agarra.

Desculpa nada ser linha recta comigo. A Inquietação. 

Espero que estejas a dormir a sonhar com as ferias em Tavira, como num céu descansado. 

Eu sossego em tapete IKEA , pantone Camel 729 C, melodioso.

"Leva-me a casa, não sei o que faço aqui, há muito tempo que me perdi, não me conheço tão bem como pensava"*

"Deixa-me cair, e agarra-me depois"

e  vamos "ver que casa é uma pessoa e que cabemos lá os dois"*

Invisible String

05.08.20, Joana Cavalcanti

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Eras pequeno e ias de autocarro para a escola. Gostavas de decorar as matriculas e modelos dos carros...talvez alguma vez tenhas passado pelo carro onde eu vinha.

Eu costumava brincar no jardim de Cascais, e mais tarde apanhar o comboio e passear por lá, quando to mostrei continuava com aquele relvado verde imenso.

Aos fins de semana gostavas de ir ver e fotografar os aviões. Quem sabe se nunca apanhaste o voo onde eu ia para Paris ou Hong Kong.

(levaste-me como na canção até lá. "Anda comigo ver os aviões")

Votamos os dois em escolas diferentes para as eleições. Mas tu votas na escolas onde andas-te, gosto sempre de ir contigo para sentir as tuas corridas e arranhões.

Time, curious time
Gave me no compasses, gave me no signs
Were there clues I didn't see?
And isn't it just so pretty to think
All along there was some
Invisible string

Quando estava a estudar para os exames nacionais junto à minha janela grande do antigo quarto, já tu tinhas carta e ias jogar computador com uns amigos. Mas algo invisível já me ligava a ti, dessa janela grande vê-se o bairro do teu amigo Cajó.

Eu na linha tu em Lisboa, mas a entrar nos vinte já a ouvir a mesma música. 

Dourado estava o sol naquele verão em que descobri na internet um fórum da Rita RedShoes, estavas por lá também...

Mas foi na fnac do Colombo que te conheci. Durante o mini-concerto não paraste de olhar para mim. (nem eu para ti). Houve depois aquele "Olá" que nos ligou para sempre.

Mas sabes já eu tinha estado a olhar para ti sem tu me veres no concerto da fnac do Chiado da Rita, umas semanas antes.

Time, wondrous time
Gave me the blues and then purple-pink skies
And it's cool
Baby, with me
And isn't it just so pretty to think
All along there was some
Invisible string
Tying you to me? 

Invisible String

05.08.20, Joana Cavalcanti

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Eras pequeno e ias de autocarro para a escola. Gostavas de decorar as matriculas e modelos dos carros...talvez alguma vez tenhas passado pelo carro onde eu vinha.

Eu costumava brincar no jardim de Cascais, e mais tarde apanhar o comboio e passear por lá, quando to mostrei continuava com aquele relvado verde imenso.

Aos fins de semana gostavas de ir ver e fotografar os aviões. Quem sabe se nunca apanhaste o voo onde eu ia para Paris ou Hong Kong.

(levaste-me como na canção até lá. "Anda comigo ver os aviões")

Votamos os dois em escolas diferentes para as eleições. Mas tu votas na escolas onde andas-te, gosto sempre de ir contigo para sentir as tuas corridas e arranhões.

Time, curious time
Gave me no compasses, gave me no signs
Were there clues I didn't see?
And isn't it just so pretty to think
All along there was some
Invisible string

Quando estava a estudar para os exames nacionais junto à minha janela grande do antigo quarto, já tu tinhas carta e ias jogar computador com uns amigos. Mas algo invisível já me ligava a ti, dessa janela grande vê-se o bairro do teu amigo Cajó.

Eu na linha tu em Lisboa, mas a entrar nos vinte já a ouvir a mesma música. 

Dourado estava o sol naquele verão em que descobri na internet um fórum da Rita RedShoes, estavas por lá também...

Mas foi na fnac do Colombo que te conheci. Durante o mini-concerto não paraste de olhar para mim. (nem eu ara ti). Houve depois aquele "Olá" que nos ligou para sempre.

Mas sabes já eu tinha estado a olhar para ti sem tu me veres no concerto da fnac do Chiado da Rita, umas semanas antes.

Time, wondrous time
Gave me the blues and then purple-pink skies
And it's cool
Baby, with me
And isn't it just so pretty to think
All along there was some
Invisible string
Tying you to me? 

So, I showed up at your party

02.08.20, Joana Cavalcanti

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Era o Frederico. Tínhamos sido colegas de escola desde os 6 anos. Ele era um ano mais velho tinha agora 17. Tínhamos saído os dois do colégio. Íamos para a pública. Íamos deixar de ser colegas.
O Fred apareceu de skate à minha porta e enquanto eu o despachava ao portão, aparece a minha mãe a convidá-lo para entrar... lembro-me de ter ficado furiosa, (na altura eu só via o Tomás à frente).
Subimos as escadas com um saco de mini Sneakers e fomos ver um filme sozinhos para o quadrinho da televisão (como chamávamos àquela sala). Passei o tempo embarassada envergonhada com ele a por um braço por cima de mim.
No dia seguinte voltou no seu skate, todo vestido de preto como lhe tinha dado naquele verão. Nesse dia quando nos sentamos no sofá tirei-lhe o braço de cima, e mudei do filme do Blockbuster para a telenovela da TVI. (Ele percebeu a dica... já não apareceu de novo).
Mas apareceu uma mensagem um dia a convidar-me para uma festa em Carcavelos.
Ela ficou até à última sem saber o que fazer.
Apareceu já tarde na festa, Ele estava encostado à parede com uma cerveja na mão a falar com um amigo e passou a noite toda a sorrir a jogar matraquilhos.

"Will you kiss me on the porch in front of all your stupid friends?"


(Não pensei no Tomás essas horas)


song: betty
álbum: folclore - Taylor Swift
eventos: reais

Agosto

01.08.20, Joana Cavalcanti

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Dizem que agosto é mágico.
Ela vê aquele agosto como o primeiro agosto em que sentiu luzes reluzir, pirilampos e borboletas, céu cor de rosa no por do sol. (Porque até antes agosto era só aquele mês clichê em que todos vão de férias. Agosto nunca mais foi clichê).
Recorda de cor o largo dos correios para onde foi a pé. 23. Foi lento e acelaradissímo o compasso dos passos, ri... coração que lhe pisca o olho.
Ele estava nervoso fora do Smart cinzento encostado à porta. Aí correu para ele...ri (muito), e essa magia de agosto foi um abraço como nunca tinha sentido, tinha o olá dele da Fnac, mas não o toque. Na verdade ela não sabia o que era amor até aquele abraço.
Ele ficou sem saber o que fazer, pôs-lhe a mão debaixo do cardigan e puxou-a mais para si. Testas encostadas e uma silenciosa de boa paragem no tempo. Sai uma lágrima do olho, aquele que pisca feliz ao sol de agosto, porque num repente espetou-lhe atrevida sem mais nem menos um beijo. Um beijo que dura.
Três mil Seiscentos e cinquenta dias.
Desastrados como seriam sempre, sem nada marcado, jantaram no Mac de Cascais e foram a um concerto gratuito de verão.
Agosto nunca mais foi o mesmo.
Sentada, enconsta a cabeça para trás e deixa os raios de sol iluminar-lhe a tez. Reluzir esta história de folclore. Para que seja passada. Para que não se perca a sensação de quem sentiu amor pela primeira vez.
Em Agosto.

(imagem: Taylor Swift)