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O Quase Diário

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Agosto

01.08.20, Joana Cavalcanti

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Dizem que agosto é mágico.
Ela vê aquele agosto como o primeiro agosto em que sentiu luzes reluzir, pirilampos e borboletas, céu cor de rosa no por do sol. (Porque até antes agosto era só aquele mês clichê em que todos vão de férias. Agosto nunca mais foi clichê).
Recorda de cor o largo dos correios para onde foi a pé. 23. Foi lento e acelaradissímo o compasso dos passos, ri... coração que lhe pisca o olho.
Ele estava nervoso fora do Smart cinzento encostado à porta. Aí correu para ele...ri (muito), e essa magia de agosto foi um abraço como nunca tinha sentido, tinha o olá dele da Fnac, mas não o toque. Na verdade ela não sabia o que era amor até aquele abraço.
Ele ficou sem saber o que fazer, pôs-lhe a mão debaixo do cardigan e puxou-a mais para si. Testas encostadas e uma silenciosa de boa paragem no tempo. Sai uma lágrima do olho, aquele que pisca feliz ao sol de agosto, porque num repente espetou-lhe atrevida sem mais nem menos um beijo. Um beijo que dura.
Três mil Seiscentos e cinquenta dias.
Desastrados como seriam sempre, sem nada marcado, jantaram no Mac de Cascais e foram a um concerto gratuito de verão.
Agosto nunca mais foi o mesmo.
Sentada, enconsta a cabeça para trás e deixa os raios de sol iluminar-lhe a tez. Reluzir esta história de folclore. Para que seja passada. Para que não se perca a sensação de quem sentiu amor pela primeira vez.
Em Agosto.

(imagem: Taylor Swift)